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Seu plano disse que infertilidade é "coisa eletiva". Não é — e existe caminho legal para isso

20/08/2026 5 min de leitura
Seu plano disse que infertilidade é "coisa eletiva". Não é — e existe caminho legal para isso

Seu plano disse que infertilidade é "coisa eletiva". Não é — e existe caminho legal para isso

Você passa meses tentando engravidar, consulta um especialista, recebe o diagnóstico de infertilidade e ouve do médico que precisa de um tratamento específico. Aí vem a resposta do plano de saúde: "procedimento eletivo, não coberto."

Isso acontece com uma frequência que me incomoda. Porque a negativa, na maioria das vezes, é juridicamente equivocada — e reversível.


Infertilidade não é frescura. É doença reconhecida

A Organização Mundial da Saúde classifica infertilidade como doença do sistema reprodutivo. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina segue a mesma linha. Isso não é detalhe de briga acadêmica: é o fundamento que derruba o argumento do plano.

Quando o plano chama o tratamento de "eletivo", ele está tentando enquadrá-lo como se fosse uma cirurgia estética ou um procedimento de conforto — algo que você escolhe fazer, não algo que precisa fazer por indicação médica. O problema é que, quando há diagnóstico de infertilidade, o tratamento não é escolha: é prescrição médica para uma condição de saúde reconhecida.

A distinção importa porque o Código de Defesa do Consumidor e as resoluções da ANS — Agência Nacional de Saúde Suplementar — exigem que o plano cubra o tratamento de doenças listadas na CID (Classificação Internacional de Doenças). Infertilidade está lá, com código próprio.


O que a ANS realmente diz sobre isso

A ANS atualiza periodicamente o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde — a lista do que os planos são obrigados a cobrir. Nas últimas atualizações, procedimentos relacionados ao diagnóstico e ao tratamento da infertilidade foram progressivamente incluídos.

Isso significa que parte significativa da investigação diagnóstica (exames hormonais, histerossalpingografia, espermograma, laparoscopia diagnóstica, entre outros) já está no Rol e não pode ser negada. Para os tratamentos propriamente ditos, a situação é mais complexa — e é aí que mora a maior parte das disputas.

A FIV (fertilização in vitro) e a ICSI, por exemplo, ainda não estão no Rol de forma ampla para todos os planos. Mas — e aqui está o ponto que muita gente não sabe — a ausência no Rol não encerra a discussão. Em 2022, o STJ consolidou o entendimento de que o Rol da ANS é exemplificativo, não taxativo, quando há comprovação de necessidade médica e inexistência de alternativa terapêutica equivalente coberta. Isso abriu uma janela legal importante.

Na prática, o que vejo é: quando o médico documenta que aquele procedimento específico é a única opção viável para aquela paciente, o argumento do plano fica muito mais frágil do que parece na primeira negativa.


O que você pode fazer a partir de hoje

Primeiro passo: documente tudo antes de qualquer coisa.

  • Guarde a negativa do plano por escrito — se foi verbal, peça confirmação por e-mail ou pelo aplicativo.
  • Peça ao médico um relatório detalhado que explique o diagnóstico (com o código CID), por que aquele tratamento é necessário e por que alternativas mais simples não são suficientes.
  • Registre datas, números de protocolo e o nome de quem atendeu nas ligações.

Esse conjunto de documentos é o que sustenta qualquer ação judicial ou reclamação administrativa. Sem ele, qualquer caminho fica mais difícil.

Segundo passo: acione a ANS. A agência tem um canal de reclamações (o Disque ANS, pelo número 0800 701 9656, e o sistema online) onde você pode registrar a negativa. O plano tem prazo para responder — em urgência, 24 horas; em casos não urgentes, prazos maiores. Essa reclamação não resolve tudo, mas cria um registro formal e às vezes gera reversão administrativa.

Terceiro passo: avalie a via judicial. Dependendo do caso, é possível pedir uma tutela de urgência — uma decisão liminar que obriga o plano a autorizar o procedimento enquanto o processo corre. Para isso, o relatório médico precisa ser robusto e a situação precisa ter elementos de urgência ou de dano irreparável. Não existe fórmula mágica, mas casos bem documentados têm obtido esse tipo de decisão em tempo útil.


O que enfraquece e o que fortalece o seu caso

Enfraquece: negativa com base em exclusão contratual clara e específica para aquele procedimento, plano contratado antes de 1999 (data da Lei dos Planos), ausência de documentação médica adequada.

Fortalece: diagnóstico formal de infertilidade com CID, indicação médica documentando que o tratamento é necessário e que não há alternativa equivalente coberta, histórico de tentativas anteriores frustradas com tratamentos menos complexos, plano contratado após 1999 (regulado pela Lei 9.656).


O TSD Advogados atua nesse tipo de caso

Se você chegou até aqui e está nessa situação, o caminho mais direto é conversar com um advogado que conheça a mecânica específica de negativas de plano de saúde — porque cada negativa tem uma fragilidade diferente e a estratégia muda conforme o contrato, o plano e o procedimento negado.

O TSD Advogados trabalha com recuperação de direitos de consumidores de planos de saúde e pode avaliar o seu caso. Se quiser uma avaliação inicial, o contato mais rápido é pelo WhatsApp: clique aqui para conversar.


Perguntas frequentes

Plano de saúde é obrigado a cobrir tratamento de infertilidade? Depende do procedimento. Exames diagnósticos e parte dos tratamentos estão no Rol da ANS e são de cobertura obrigatória. Tratamentos como FIV podem ser exigidos judicialmente dependendo da documentação médica e das condições do contrato.

O plano pode negar alegando que é procedimento eletivo? Quando há diagnóstico médico de infertilidade e indicação clínica formal, o argumento de "eletivo" perde força jurídica. Infertilidade é doença reconhecida pela OMS e pelo CFM.

O que fazer quando o plano nega por escrito? Guarde o documento, reúna o relatório médico detalhado e registre reclamação na ANS. Em paralelo, consulte um advogado para avaliar se cabe ação judicial com pedido de liminar.

Processo contra plano de saúde demora quanto tempo? Varia muito conforme o caso, a comarca e se há pedido de tutela de urgência. Não existe prazo garantido, mas casos bem documentados com urgência médica tendem a ter decisões liminares mais rápidas.

Posso entrar com ação mesmo sem ter tentado resolver com o plano antes? Sim. A tentativa administrativa não é requisito para acionar a Justiça. Mas o registro da negativa formal ajuda a construir o caso.

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