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O plano negou seu exame. Veja o que fazer antes que o prazo passe.

01/07/2026 5 min de leitura
O plano negou seu exame. Veja o que fazer antes que o prazo passe.

O plano negou seu exame. Veja o que fazer antes que o prazo passe.

Você está com uma queixa, o médico pediu um exame, e o plano de saúde disse não. Pode ser uma ressonância, uma biópsia, um PET-CT, não importa o nome técnico. O que importa é que sem aquele resultado, o diagnóstico trava. E o tempo, dependendo do que está sendo investigado, não é um detalhe.

Essa situação é mais comum do que deveria ser. E, na prática, tem solução, mas ela exige que você aja rápido e na ordem certa.


O que o plano de saúde tem obrigação de cobrir

O ponto de partida é simples: se o exame está no Rol de Procedimentos da ANS e foi prescrito por médico assistente com indicação clínica documentada, o plano é obrigado a cobrir. Ponto.

O Rol da ANS é a lista mínima de cobertura que todo plano contratado no Brasil deve respeitar. Ele é atualizado periodicamente e inclui centenas de exames diagnósticos, desde hemogramas simples até exames de imagem complexos e testes genéticos específicos.

A negativa do plano pode vir de formas diferentes: uma ligação da central dizendo que "não está coberto", um documento formal de recusa, ou simplesmente o silêncio depois de uma solicitação de autorização. Todas essas situações têm o mesmo caminho de resposta.


Por que os planos negam, e por que isso nem sempre tem respaldo legal

As justificativas mais frequentes que ouço são três:

"O procedimento não tem cobertura no seu contrato." Isso pode ser verdade para contratos antigos, anteriores a 1999, que não foram adaptados à Lei 9.656. Mas para a grande maioria dos planos ativos hoje, o Rol da ANS prevalece. Verificar a data do contrato e a versão do Rol vigente na época do pedido é o primeiro movimento.

"O procedimento é experimental." Essa é uma justificativa que precisa de muito cuidado. Depois de uma decisão do STJ em 2022, o entendimento jurídico ficou mais claro: mesmo procedimentos fora do Rol podem ser cobertos se houver recomendação médica fundamentada e ausência de alternativa equivalente no Rol. Não é automático, mas é um caminho real.

"Falta documentação médica." Essa é a mais fácil de resolver, e a mais usada para ganhar tempo. A solução é simples: peça ao médico um relatório detalhado com CID, justificativa clínica e o nome exato do exame conforme a tabela ANS/TUSS.


A sequência que funciona, do mais simples ao mais eficaz

1. Formalize o pedido e a negativa por escrito

Nunca aceite uma negativa verbal. Ligue para a central, peça o número de protocolo, e solicite a negativa formal por escrito ou por e-mail. Isso cria o rastro documental que você vai precisar.

2. Reúna a prescrição médica completa

O relatório do médico precisa ter: nome completo do exame (com código TUSS se possível), CID, justificativa clínica objetiva e assinatura com CRM. Quanto mais específico, menor a margem para o plano alegar "documentação insuficiente".

3. Registre reclamação na ANS

A ANS tem um canal de reclamação online (ans.gov.br) e uma central telefônica. Quando você registra uma reclamação formal, o plano tem prazo para responder, e a ANS monitora. Isso não resolve tudo, mas cria pressão regulatória e documenta o descumprimento.

4. Procon e plataforma consumidor.gov.br

São canais rápidos e gratuitos. Muitos planos resolvem nessa etapa para evitar autuações. Vale usar em paralelo com a ANS.

5. Ação judicial com pedido de tutela de urgência

Quando os canais administrativos não resolvem, e há urgência médica documentada , o caminho é o Judiciário. Um juiz pode determinar que o plano autorize o exame em prazo curtíssimo, por meio de uma decisão liminar. Isso não é garantido em todo caso, mas é um instrumento previsto no Código de Processo Civil para situações em que o tempo faz diferença.

O que define a viabilidade de uma liminar não é só o diagnóstico grave, é a combinação de prescrição médica clara, negativa documentada do plano e urgência demonstrável. Esses três elementos juntos são o que sustenta o pedido.


O que você pode fazer hoje, agora

Se você está nessa situação enquanto lê este artigo:

  • Ligue para o plano e anote o número de protocolo da negativa
  • Peça ao seu médico um relatório com CID e código TUSS do exame
  • Acesse ans.gov.br e registre a reclamação ainda hoje
  • Guarde todos os documentos: contrato, carteirinha, pedido médico, protocolos

Esses quatro passos já colocam você em posição muito melhor do que a maioria das pessoas que enfrenta essa situação.

Se os canais administrativos não resolverem, o TSD Advogados atua especificamente com direitos de consumidores de planos de saúde e pode avaliar sua situação. Entre em contato pelo WhatsApp para uma avaliação inicial.


Perguntas frequentes

O plano pode negar um exame que o médico pediu? Pode tentar, mas se o exame está no Rol da ANS e há indicação clínica documentada, a negativa é contestável. A negativa não é a palavra final.

Quanto tempo o plano tem para autorizar um exame? A ANS estabelece prazos: até 3 dias úteis para exames eletivos e prazo menor para urgências. O descumprimento desse prazo é infração regulatória.

Se o exame não está no Rol da ANS, não tenho direito? Não necessariamente. Dependendo da indicação médica e da ausência de alternativa equivalente coberta, há precedentes judiciais que obrigam o plano a cobrir. Cada caso precisa ser analisado individualmente.

Posso fazer o exame por conta própria e pedir reembolso depois? Se o plano negou e você precisou pagar do próprio bolso, é possível buscar o ressarcimento judicialmente, incluindo danos morais em casos de recusa indevida com impacto comprovado à saúde.

A negativa do plano configura dano moral? Pode configurar, sim, especialmente quando a recusa é indevida, causa sofrimento concreto e atraso no diagnóstico ou tratamento. Não é automático, depende das circunstâncias , mas é um pedido legítimo e reconhecido pelos tribunais.

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